O número de pessoas com depressão que tiram a própria vida cresceu nos últimos meses. De acordo com dados contabilizados pela Agência Reguladora de Transportes (Artesp), só nas estradas de concessão foram registrados 18 suicídios neste ano. Um deles ocorreu nesta segunda-feira (18) na Rodovia dos Bandeirantes e outro na Rodovia dos Imigrantes. Fora das estradas administradas pelo DER, que não possuem dados abertos. Também não aparecem nos registros os casos considerados atropelamentos, que precisam de investigação mais detalhada.
Na região de Jundiaí, a Polícia Civil já registrou apenas neste ano 20 ocorrências. O que chama atenção é o aumento de vítimas entre mulheres e jovens. No fim de semana, uma operação do Posto do Corpo de Bombeiros de Cabreúva salvou a vida de uma pessoa em tentativa de suicídio que se trancou em um carro e abriu o registro de gás. Os soldados tiveram de quebrar os vidros do veículo para realizar o salvamento.
O desespero da jovem não é isolado. Recentemente, no Jardim Novo Horizonte, outra jovem também em depressão saiu pelas ruas do bairro com a intenção de tirar a própria vida. Graças à mobilização pelas redes sociais, ela foi encontrada e encaminhada para atendimento na UPA do Vetor Oeste.
Em Itatiba, neste ano, os cabos Spencer e De Matos já salvaram duas pessoas que tentavam tirar a própria vida. Em um dos casos, a vítima estava endividada e houve grande comoção, com os policiais conseguindo convencê-la a desistir do ato.
A Polícia Civil orienta as pessoas com depressão a buscarem apoio. A Prefeitura mantém os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) distribuídos estrategicamente pelo município. Também há atendimento pelo Centro de Valorização da Vida (CVV).
Como buscar ajuda
Jundiaí conta com Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) completa de atendimento para a população. Entre os serviços, estão o Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS), com atendimento específico para as necessidades de cada pessoa, inclusive com serviço de avaliação permanente para a avaliação dos casos. Neste período de pandemia, com a necessidade de isolamento social, os atendimentos foram adequados para a forma individual.
Os CAPS são unidades de saúde mental voltadas ao cuidado de transtornos mentais severos e persistentes, cujo cuidado envolve a necessidade de ações complexas, com o objetivo de realizar a reabilitação psicossocial do usuário. Nesta perspectiva, o trabalho dos CAPS envolve pensar no desenvolvimento do indivíduo em diversos aspectos de sua vida: familiar, relacionamentos interpessoais, interação com a comunidade, trabalho, cuidados com a saúde, acesso a direitos sociais.
“Os atendimentos realizados pelos CAPS, envolvem casos com maior gravidade, não englobando apenas os problemas psicológicos. O cuidado em saúde mental nos casos mais leves e transtornos mentais comuns, tais como os quadros depressivos, é realizado, também, pela Atenção Primária à saúde, tanto pelas equipes do território como pelas equipes do NASF (Núcleo Ampliado de Saúde da Família – AB)”, comenta a psicóloga e assistente da Coordenação de Saúde Mental da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), Adriana de Carvalho Pinto.
CAPS III, na Hortolândia, é aberto para atendimento às pessoas com transtornos severos
No caso de qualquer tipo de sofrimento mental, o munícipe pode buscar o acolhimento na Unidade Básica de Saúde de seu território ou junto ao CAPS. A rede CAPS do município de Jundiaí é composta por quatro equipamentos:
- CAPS III Sem Fronteiras – Rua Dr. Ramiro de Araújo Filho, 234 – Vila Hortolândia – unidade voltada ao atendimento de adultos com transtornos mentais severos e persistentes;
- CAPS II Bem Viver – Rua Fausto Leônidas Bocchino, 14 – Jd. Paulista – unidade voltada ao atendimento de adultos com transtornos mentais severos e persistentes;
- CAPS AD III Maluco Beleza – Rua Prof. Giácomo Ítria, 393 – Anhangabaú – unidade voltada ao atendimento de adultos com problemáticas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas;
- CAPS Infanto Juvenil É Liberdade – Rua Comandante Videlmo Munhoz, 345 – Anhangabaú – unidade voltada ao atendimento de crianças e adolescentes (até 17 anos e 11 meses), com transtornos mentais e/ou problemáticas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.
O cuidado em saúde mental demanda intervenções múltiplas, não podendo ser centrado em uma única oferta, uma vez que o objetivo é a melhoria da qualidade de vida do indivíduo. Desta forma, pode ser ofertado por meio de escuta acolhedora ao sofrimento psíquico, Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (auriculoterapia, práticas meditativas, fitoterapia, relaxamento guiado, entre outros), atividades de convivência (como ações envolvendo atividades físicas), além das ofertas clássicas, de atendimento médico e psicoterapias (sejam estas individuais ou grupais).
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